O “mission statement” ou “declaração de missão” da Microsoft em seus primeiros anos de vida era “um computador em cada escrivaninha”. Por mais incrível que isso parecesse no início dos anos oitenta, a verdade é que essa “missão” foi essencialmente realizada no início do século XXI. O número de usuários de computadores nos países desenvolvidos cresceu pouco nos últimos dez anos; essencialmente quem tinha que estar usando computador já está. Evidentemente um mercado saturado é um mercado altamente competitivo, de preços e margens de lucro baixas.
Por esta razão os países em desenvolvimento e, especialmente os BRIC (Brasil , Rússia, Índia e China), foram alvos de muita atenção nos últimos anos por parte das empresas de informática: são países grandes e nos quais havia ainda o potencial de crescimento comparável aos “anos de ouro” dos países desenvolvidos. Os BRIC ainda têm algum potencial inexplorado, mas são mercados com algumas complicações, como pouco respeito à propriedade intelectual, problemas de infra-estrutura ou até mesmo um “capitalismo oligárquico” difícil para estrangeiros navegar. Será que ainda não existe algum grande mercado de informática inexplorado?
A constante miniaturização dos componentes de computador aliada a diminuição do consumo de eletricidade permite agora fazer um computador bastante capaz, equivalente a um desktop de dez anos atrás, mas que cabe no bolso e funcionam vários dias com uma única carga de bateria. É também simples e barato colocar um telefone celular com acesso à internet no mesmo aparelho.
Depois de sofrer por anos com poucas vendas de seus “smartphones” – telefones com computadores acoplados, tanto a Microsoft como a Nokia viram seu mercado ser roubado pela Apple, exatamente quando o hardware tina tornado-se suficientemente barato e poderoso. Não só a Apple redefiniu o que deveria ser um computador portátil com telefone, ela fez isso com margens de lucro mais associadas à época de ouro dos próprios computadores. Estima-se que a Apple nos EUA recebe da AT&T, a operadora exclusiva, algo como US$300 por ano por cada iPhone vendido.
Depois de salivar ao ver estes números, os concorrentes se deram conta que a penetração do iPhone no universo dos “smartphones” ainda é relativamente pequena, algo na casa dos 15%. Se levarmos em conta as vendas totais de telefones celulares, as vendas do iPhone correspondem a menos de 3% das vendas totais de aparelhos celulares. Isso é que é um grande mercado inexplorado!
Por estas razões, a Google lançou rapidamente seu “smartphone” o Android, produzido tanto por terceiros como por ela mesma.
Após vários altos e baixos com sua plataforma “Windows Mobile”, a Microsoft finalmente renovou completamente sua oferta de Smartphone com o seu “Windows Phone 7”. Desta vez ela resolveu deter mais controle sobre o hardware, impedindo o aparecimento de telefones de mau desempenho e também padronizando a interface com o usuário. Ele é claramente inspirado no iPhone, mas promete brilhar onde a Microsoft é forte: integração com seus outros softwares, como Windows e Office e disponibilidade de boas ferramentas de desenvolvimento.
O kit de desenvolvimento de software do iPhone não fazia parte dos planos originais da Apple e foi feito às pressas, utilizando uma tecnologia de desenvolvimento relativamente obsoleta e também exige que o desenvolvedor utilize um computador Mac, mais caro e raro que os Windows.
Acredito que a Microsoft trará para o seu telefone uma plataforma de desenvolvimento muito mais moderna, poderosa e fácil de usar. Isso deve atrair imediatamente para a plataforma os desenvolvedores tradicionais de aplicativos e contribuir bastante para o sucesso do “Windows Phone 7”.