Impressões do primeiro dia do evento Microsoft Build

De Anaheim, California

Não me lembro de outro evento da Microsoft guardado com tanto segredo. Nem o PDC 2000, onde foi anunciado o .NET foi tão secreto; mesmo  amigos meus de cargos relativamente altos em Redmond juravam não saber nada a respeito do que seria anunciado no Build.

A organização do evento também não foi feita pelas mesmas pessoas que organizam o TechEd, Mix e PDC e sim pelo time do Windows, que está mais acostumado a eventos relativamente pequenos para fornecedores de hardware, como  o WinHEC.

Por estas razões, havia uma enorme expectativa no ar. A única coisa que vazou, na Nova Zelândia, foi que os atendentes iriam receber um tablet com Windows 8, o que efetivamente aconteceu: foi distribuído um Tablet da Samsung com tela de umas 11 polegadas “wide”, tela “touch”, WiFi, modem 3G com um ano de plano de dados da AT&T, processador i5 “segunda geração”, 4GB de RAM, 64 GB de drive de estado sólido, saída de vídeo HDMI, “docking station” com ethernet, USB , HDMI e bateria com oito horas de duração. Versões de instalação do Windows 8 também foram colocadas em uma rede interna para serem copiadas livremente.

A minha impressão foi que a alta expectativa foi cumprida. O Windows 8 roda os aplicativos feitos para Windows 7, mas eles são considerados obsoletos. Os novos aplicativos usam uma interface com usuário muito semelhante a do Windows Phone 7, chamada de “Metro”. É uma interface simples e intuitiva, desenvolvida para ser fácil de usar. Uma das grandes surpresas é que todos os aplicativos são “tela cheia”. Ou seja, o Windows não tem mais janelas, nem caixas de diálogo!

As novas APIs são expostas como classes em C++ e chamáveis diretamente a partir de C++, C#, VB.NET e JavaScript/HTML/CSS, em uma nova versão do Visual Studio. As APIs antigas são obsoletas e não podem ser utilizadas pelos aplicativos “Metro”. O Silverlight é suportado, mas não é necessário; a interface com usuário pode ser especificada em XAML, contudo.

Todos os arquivos dos aplicativos Metro são empacotados em um arquivo e podem ser distribuídos a partir de uma “loja” que entrará no ar futuramente, em um modelo parecido com os existentes para Windows Phone 7, iPhone e Android.

Embora o software ainda seja beta, as apresentações me pareceram seguras e que existe uma visão clara do que deve ser feito e do estado adiantado da nova plataforma. Parece-me que é uma resposta à altura da Microsoft aos desafios lançados pela Apple e Google/Android nos últimos anos.

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